terça-feira, 1 de setembro de 2009

O poder de um bom atendimento

Confesso que minha intenção inicial não era fechar negócio no sábado pela manhã, mas acabei por trocar meu carro. Também confesso que não costumo escrever sobre esse tipo de coisa nos meus blogs, mas acho que o assunto é bom, e que mais do que nunca, nós, consumidores, precisamos começar a exigir um atendimento de qualidade.

A primeira concessionária que fui foi a Valec, especializada em automóveis Renault. Eu queria ver um Sandero. Chegando lá a primeira dificuldade: lugar para estacionar. As vagas todas ocupadas, e ninguém para orientar. Manobrei, manobrei e acabei parando numa vaga de carros de test-drive. Entrei na concessionária, tive que ir até um vendedor, que não esboçou muita reação, mas me atendeu. Não disse nada, não perguntou nada, eu tive que começar a explicar o que procurava e o que tinha pra oferecer. Ele me levou para uma passada rápida pelo Sandero... quase não deixou que eu olhasse, não falou para entrar no carro, e já foi logo dizendo que primeiro era bom que avaliassem meu carro.

Enquanto avaliavam meu carro me levou para uma salinha onde mostrou cotações de carros com o modelo semelhante ao meu num site obscuro da internet. Depois me largou lá na salinha por alguns minutos e enquanto isso uma outra vendedora apareceu lá com um cliente pegou algumas coisas e saiu da salinha falando alto que "roubaram a sala dela". Deu uma risada sem graça e olhou pra mim, eu dei de ombros e não esbocei qualquer outra reação. Enfim, o vendedor chegou com a avaliação do meu carro... jogou o preço lá embaixo e foi bem claro ao dizer que eu deveria procurar outros lugares e caso encontrasse um valor melhor para que eu o procurasse.

Fui embora, extremamente nervoso, decidido a não comprar mais nada e nem ir atrás de mais nada, resoluto iria consertar e equipar meu carro e ficar com ele.

Como existia uma outra concessionária, recomendada por um amigo, por perto, a Forte, eu acabei decidindo apenas dar uma passada por lá e ver se realmente meu carro não estava valendo nada no mercado... estava bem desesperançoso.

Chegando lá, o ambiente totalmente diferente, um estacionamento amplo, porém cheio, mas com um rapaz indicando vagas, onde eu prontamente estacionei meu carro.

Entrei na concessionária, onde havia bastante gente, uma música bem animada, e vendedores dispostos. Quem me atendeu foi o Leandro, cheguei até ele e ele já foi se apresentando e perguntando que carro eu queria ver. De cara já me levou para o carro, eu, tímido, apenas olhando por fora, ele já abrindo a porta falando para entrar e ver por dentro e tal. Inicialmente até gostei do carro que olhei, pude observar bem os detalhes, e o Leandro me explicando tudo que eu tinha dúvidas, sempre bem humorado.

Obviamente, perguntei o preço, e aí ele me convidou para ir até sua mesa para então iniciarmos as negociações. Detalhe, ele me tratou como quem vai realmente comprar um carro, mesmo sem saber se eu estava lá para comprar ou para apenas olhar - isso faz toda diferença.

Nesse meio tempo ele já havia levado o documento e a chave do carro para avaliação.

Em sua mesa ele começa a me passar a cotação do carro, explicar os detalhes, perguntar os opcionais e cor que eu queria. Pude explicar com detalhes. Isso deu tempo da avaliação do meu carro ficar pronta, ele trouxe para que nossas negociações prosseguissem. O preço inicial foi baixo, não tanto quando da Valec, mas ainda assim baixo. Reclamei disso, obviamente, e ele prontamente, usando toda lábia de vendedor, disse que tinha um ótimo negócio pra mim se eu fosse fechar naquele dia. Decidi continuar a brincadeira e ver até onde ia. Nisso conversa vai conversa vem, acabei por escolher um modelo melhor do carro em questão. Ele rapidamente me levou até aquele modelo, entrei, olhei, comparei, perguntei, acabei por gostar muito daquilo.

Pronto, estava animado com o carro novo, voltando para sua mesa negociamos o preço do meu carro, consegui subir bem, negociamos o preço do carro dele, eu com a choradeira de comprador e ele com a choradeira de vendedor, chegamos ao ponto das parcelas do financiamento, chorei bastante e consegui o que queria.

O processo de conclusão do negócio foi bem rápido, tive todas as explicações necessárias, todas as informações disponíveis e pude sair bem satisfeito com a compra.

Mais do que os valores negociados, acredito que o ótimo atendimento que o Leandro e a Forte prestaram foram o diferencial para que eu mudasse completamente de idéia com relação a primeira concessionária.

Isso me fez pensar em como por vezes somos mal atendidos, e é ainda mais absurdo quando se trata de bens com valores altos, como os carros, e como um bom atendimento faz TODA a diferença na hora de fechar negócio.

Minha intenção é que esse post chegue as concessionárias envolvidas, mas que outros comerciantes comecem a prestar mais atenção em como está seu atendimento ao cliente.


Matheus Soares

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"O perfeito amor lança fora todo o medo."

Matheus Soares.

Esta é uma verdade profunda das Escrituras. Nosso medo de nos relacionarmos é oriundo de uma sociedade que não conhece o amor. São dias em que amor é um simples sinônimo para relação sexual.

Deus disse que seríamos reconhecidos como seus discípulos pelo amor, e o amor bíblico é o amor que envolve sacrifício... sacrificar o ser e o querer pelo outro. Quem está disposto? Sabemos, por exemplo, definir exatamente qual é o nosso temperamento, mas incapazes de mudá-lo 1 milímetro para satisfazer aqueles que amamos, a gente fala que "tudo posso naquele que me fortalece" pra conseguir um emprego, ou uma namorada, ou uma casa, mas a gente não fala que podemos mudar nosso caráter. Preferimos continuar assim, amoldados ao mundo das aparências, mas de interior podre.

Jesus se desprendeu das tradições judaicas não por mera rebeldia, mas porque o amor se coloca acima dos rituais religiosos, acima do dia de descanso, acima da classe social, acima da diferença racial.

Amor é coisa que não se sente apenas, é coisa que se vive, coisa de quem vive! E vive não só pra si mesmo, mas vive pra si e pro outro! Porque amar, é amar a si mesmo... é agradar a si mesmo... é sonhar e realizar pra si mesmo, porque não dá pra amar o outro como a si mesmo se você não está confortável com o que você é.

A gente sonha, divaga, pensa e repensa numa sociedade que seria a perfeita. Quer governantes mais honestos, quer salários justos, quer relações sinceras... Mas a gente pára por aí. Na prática cada um vive do jeito que acha melhor, como se fosse uma ilhazinha no meio do oceano.

O bom samaritano não era bom porque era samaritano, ele era bom porque era bom! Porque se compadecia da situação do próximo, não andava com o nariz empinado, andava olhando pras pessoas.

Relacionar-se é ser feliz sabendo que faz o outro feliz.

Mas enquanto o mundo não muda, é cada um por si e Deus por todos.

Sou eu mesmo.

Matheus Soares.

Nesta noite fria e muda olho ao redor,
Ninguém vejo, a não ser eu mesmo.
E olhando para mim mesmo sinto,
Sinto a angústia do ser.

Como angustiar-se pelo ser?
Como viver sendo aquilo que somos?
São nessas noites que penso,
Penso em fugir de mim mesmo.

Mas para onde fugirei?
Uma terra distante talvez?
Fico inebriado pelas possibilidades,
Possibilidade de outra vida.

Mas de que me adianta?
Seria uma vida diferente desta?
A verdade é que não dá pra escapar,
Escapar de sermos nós mesmos.

E a noite vai se desfazendo,
A aurora vem chegando,
Os rostos vão aparecendo,
E vejo que vale a pena ser eu mesmo.

sábado, 28 de junho de 2008

Quão amargo é o sabor de não ter as coisas simples, mas que mais preciso.

A dor que dilacera coração e alma, é uma dor infantil, de quem superestima as sentimentalidades.

Precisando de um afago, de colo, de segurar na mão, de abraço... as palavras são insuficientes para tal.

O tempo passa vagarosamente... as horas arrastam-se intermináveis, os dias então tornaram-se anos. Espero a esperança.

Cabisbaixo ando no meio do povo... são tantas coisas que os ombros tem que suportar...

E a vontade é refugiar-se onde ninguém pode achar.

Queria eu ser como todos os outros homens gélidos. Nada esperando.

E isso tudo é só porque preciso de coisas tão simples, mas que ninguém pode me dar.

A esperança dos desesperados é a minha: Deus me consola.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Do que a vida é feita.

A vida é um caldo de dores e de alegrias – tem dias que o lamento excede a felicidade. Vivemos no aguardo do "dia mal", aquele, quando não sobram forças para soluçar – ninguém se engane, o "dia mal " é inexorável.

A vida é uma tensão constante entre bons e maus desempenhos – tem dias que nos envergonhamos dos nossos impulsos, da nossa ingenuidade e da nossa paixão desenfreada. Não passamos de “palhaços das perdidas ilusões, cheios dos guizos falsos da alegria andamos cantando a nossa fantasia entre as palmas febris dos corações”.

A vida é uma gangorra entre desejo e decepção – tem dias que as decepções revelam a ilusão dos nossos sonhos. Acordamos e a realidade nos esbofeteia.

A vida é uma guerra entre verdade e mentira – tem dias que nos encantamos com a mentira; depois choramos a nossa ingenuidade. Não contabilizamos a dor da utopia e somos angustiados com a perdição.

A vida é uma corrida entre o presente fugaz e o futuro incerto – tem dias que apostamos no porvir e perdemos. A ampulheta não pára e acabamos atropelados pelo pião do dia-a-dia, que esparrama o restinho da nossa dignidade.

A vida é uma negociação entre coração e razão – tem dias que o coração deixa a razão para trás e atola no areal da solidão. A pouca razão do amor é infantil; suas cartas, ridículas; seus apelos, inconseqüentes.

A vida é um equilíbrio entre céu e inferno – tem dias que incandescemos o hades porque desvalorizamos a inquietação alheia. Com vontade de encontrar a felicidade, desdenhamos a melancolia alheia e o pôr-do-sol da amada. O frio da madrugada egoísta gela toda a paixão.

Soli Deo Gloria.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Lendo sem ler e escrevendo sem escrever.

Persevero na esperança do verso,
numa vida vivida em prosa,
tentando sempre ser um soneto.

Sufocado, às vezes, pela inerrante gramática,
debruço-me na melodiosa literatura,
e nela encontro o afago para a afadigada alma.

Consoantes e vogais, nem sempre sei usá-las.
Felizes são os que não usam palavras para ferir,
mas constróem frases que tocam o coração.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Destino

Quisera eu caminhar pelas ruas sem nome,
lá, onde não terei mais preocupações.
Aqui, preso a este corpo, penso:
Porque as simplicidades são tão complicadas?

Regras, leis, não e sim. Faça e não faça.
Canso-me de toda a hipocrisia.
Gostaria de viver... Ah meu Deus,
dá-me essa dádiva.

Não quero apenas os sonhos futuros,
quero o aqui e o agora.
Tão difícil é ser compreendido.
Nesse mundo, pareço estar destinado a carência.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Não

Álvaro de Campos

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.

As misericórdias do SENHOR são acausa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.

Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, emsilêncio. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deuspôs sobre ele; ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança. Dê a face ao que o fere; farte-se de afronta. O Senhor não rejeitará para sempre; pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias; porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens.

Pisar debaixo dos pés a todos os presos da terra, pervertero direito do homem perante o Altíssimo, subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor? Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimotanto o mal como o bem? Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.

Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR.

Lamentações de Jeremias 3:21-40

terça-feira, 1 de abril de 2008

1º de Abril, O dia da mentira ??

Heloísa Medina Dias

Não há sentido em se comemorar 1º de Abril como o dia da mentira, uma vez que ela é celebrada e aplaudida por todos, todos os diias. Mas não há problema não é mesmo?! Afinal, caráter e sinceridade nem são levados em conta atualmente !! Prá que dizer a verdade, se posso "distorcê-la" e me sair melhor? É assim que a grande maioria pensa ...Ah, mas é uma brincadeira! muitos diriam. Mas digo que infelizmente é uma "brincadeira" que espelha a realidade, não sei se somente do povo brasileiro, mas enfim, eu realmente gostaria de viver em um mundo onde todos os dias celebrassem a verdade e a justiça. Onde o caráter e a personalidade das pessoas valesse mais do que qualquer outra coisa. Num mundo onde a mentira fosse punida e não festejada. Mas enquanto esse mundo meu, idealizado, não existe ... Celebremos, junto com todos a mentira e a falsidade, o primeiro de abril que acontece todos os dias a todos os indtantes. A falta de caráter e o engano, comemoremos o mundo onde falta além de tudo, um único dia em que só falem a verdade !

Desabamento, dengue e corrupção.

Quem poderia imaginar a atual situação da capital financeira de nosso país? Como se não bastasse o recente desabamento do metrô, mais uma vez os cidadão vêem-se indefesos perante tamanha incompetência, que parece esperar uma tragédia maior para tomar providências. O absurdo é tanto que tem gente sentindo falta do Maluf...

E o que dizer da situação triste do Rio de Janeiro? Em pleno século XXI a população vê-se refém de uma epidemia sem controle, com ações atrasadas e fracas do governo. E o que é mais chocante é que uma doença relativamente fácil de se diagnosticar, com tratamentos amplamente divulgados ainda faça vítimas fatais numa cidade grande. É lastimável.

Enquanto isso governo e oposição batem de frente, discutindo o grande absurdo: quem é mais (ou menos) corrupto. Esse melindre sobre os cartões é só uma desculpa para as brigas políticas de um ano eleitoral. Em nenhum momento há verdadeiro interesse na verdade ou no bem estar da população.

É difícil ter esperanças mediante essas situações. Cercados estamos por governantes corruptos, que preocupam-se única e exclusivamente com seus interesses, desviam verbas de obras, nutrem o descaso pela saúde pública. Nunca interessados em investir na educação do povo, para que, obviamente, os mesmos continuem ignorantes e votando neles. Temos essa herança maldita da exploração portuguesa, a herança de tirar vantagem de toda e qualquer situação em benefício próprio. E isso não está só nos governantes, está no povo, que acomodou-se com isso, dando seu “jeitinho” pra tudo, mesmo que esse jeitinho não seja assim tão “legal”.

Esperamos que os governantes sejam honestos, sinceros, verdadeiros, mas como? Nós mesmos não o somos. Estamos cada vez mais atentos para nossos interesses.

Até mesmo os argentinos, que tantos brasileiros odeiam, saem em defesa de seu próximo. Como não ficar empolgado com o panelaço promovido em frente à Casa Rosada?

Mas nós continuamos aqui, sentados, inertes, querendo apenas saber quem vai ganhar 1 milhão no Big Brother.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Olhai os lírios do campo

Como diria Salomão, tudo é vaidade. Cada vez mais tornamo-nos pessoas vaidosas, os valores estéticos falam cada vez mais alto. Somos consumidos pelo consumismo. Tornou-se tarefa difícil encontrar pessoas satisfeitas com aquilo que são, porque, de fato, são poucas as que tem consciência do que são. A grande maioria tem consciência do que tem, mesmo tendo pouco ou muito, sempre infelizes porque não alcançam tudo que querem, mesmo os que tem muito.

Meninas, moças e mulheres passam horas todos os dias diante de um espelho procurando a aparência ideal. Cada vez mais cedo procuram médicos para corrigir suas supostas imperfeiçoes. Os homens cada vez mais entram nesse mundo. Quem não precisa fazer academia hoje em dia?

A vaidade da aparência caiu como uma luva no capitalismo, não só pelos nichos de mercado, mas porque também criou a vaidade intelectual. Estudar a vida inteira, graduação, pós, mestrado, doutorado, cursos de inglês, espanhol, chinês, cursos de especialização. O que dizer dos meios de comunicação? TV, celular, internet, recebemos uma enxurrada de informações todos os dias. Estamos no ponto de que uma criança tem mais informações do que um idoso a 30 anos atrás. Será que isso tudo é realmente bom?

Nem a fé e a religião são mais alicerces para uma vida sadia, transformaram-se em meros instrumentos para aqueles que galgam o sucesso.

Acabamos ficando neuróticos quando falta-nos atividades. Não conseguimos mais aproveitar tardes e noites preguiçosas, se cochilamos estamos perdendo tempo que deveríamos investir em nossas outras valorosas tarefas.

Tornamo-nos escravos, não amigos, uns dos outros. Sempre preocupados no que pensarão, no que dirão, se estamos agradando, se não estamos. Nos frustramos porque é impossível agradar a todos sempre.

Não é de se espantar que nossos dias parecem tão curtos.

Fico pensativo sobre as palavras de Jesus, "olhai os lírios do campo", ou "não andeis ansiosos por coisa alguma" ou "basta a cada dia o seu próprio mal".

Diante disso quero tomar algumas resoluções, que visam manter minha saúde mental:

- NÃO vou me vestir conforme os seus padrões;
- NÃO vou viver conforme seu estilo de vida;
- NÃO vou me preocupar com todas as suas opiniões;
- NÃO vou me guiar somento por aquilo que você pensa;
- NÃO vou engolir tudo quanto é informação;
- NÃO vou ser seu escravo, quero ser seu amigo;
- NÃO vou usar a fé como ferramenta, mas como base pra vida.

e

- VOU olhar os lírios do campo, a beleza da criação;
- VOU me vestir da maneira que achar mais confortável;
- VOU me preocupar com as coisas de amanhã, amanhã;
- VOU esperar o tempo para todas as coisas;
- VOU me dedicar às pessoas, não às coisas;
- VOU descansar;
- VOU amar.

Eu poderia enumerar muitas outras coisas nessa lista, mas seria imensa, e acredito que o importante é tentar procurar o equilibrio em cada uma das nossas atitudes.

Quer olhar os lírios do campo comigo?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Adeus Fidel. Será que sentiremos sua falta?

Começo dizendo que o Sr. Castro ainda não morreu, mas aos poucos sua figura no cenário político mundial perderá força, por isso o adeus pode ser algo prematuro, tendo em vista que suas opiniões e possíveis discursos ainda continuarão tendo um peso para o mundo enquanto estiver vivo.

Porém, sua força política, com a recente renúncia ao poder, foi bastante reduzida, o companheiro Fidel deixa de ser um articulador para apenas ser mais um influenciador nesse vasto mundo de ideais e idealizadores.

Eu nào sei dizer se o mundo sentirá a falta de sua força política, nem ao menos se isso será bom ou ruim, para Cuba e para o globo terrestre. O que sei é que poucos realmente conhecem a Revolução idealizada por Fidel, poucos conhecem de fato sua história, poucos tentam compreender a mente de um homem que por vezes pode soar como um gênio e tantas outras vezes como um louco.

O que posso imaginar é que Cuba, talvez, torne-se um país mais livre, menos totalitário e até mesmo capaz de abandonar o socialismo (isso, obviamente, daqui um bom tempo e também não sei se isso é bom). Também imagino que para o presidente Bush e para os EUA, uma pedra no sapato foi removida, pois são poucas as vozes de peso que tem coragem de afrontar os interesses do império norte-americano como a de Fidel. Já imagino os banquetes e festas que a Casa Branca tem vivido desde o anúncio de sua saída.

Seguindo os passos de quase todas as grandes figuras históricas, Fidel Castro não deixa um líder à sua altura, tendo em vista que seu irmão Raúl Castro parece-me tímido e acanhando em assumir o poder, e isso me parece um grande precedente para uma mudança nas próximas eleições.

O companheiro Lula deve estar-se sentindo um tanto quanto desamparado pois desde meados dos anos 80 mantém boas relações com o ex-presidente cubano. E isso também sentirão Chavez e Morales da vida.

Talvez a saída de Fidel signifique a possibilidade de uma maior abertura para o turismo cubano, um precedente para uma liberdade religiosa maior. Com relação a isso temos motivos para estarmos felizes com a possível situação.

Pode parecer ridículo, considerando as loucuras do ex-chefe cubano, mas sentirei falta de sua influência. Sentirei falta de alguém apontando os erros norte-americanos e afrontando, sem medo, seu domínio. Mas fico feliz em imaginar que os irmãos de Cuba terão mais liberdade.

O mundo sentirá falta de Fidel? Eu não sei, sei que eu sentirei. E isso não quer dizer que achei ruim sua saída.

Viva La Revolución!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Amor é fogo que arde sem se ver

Luís de Camões (1524-1580)

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Nunca

Nunca passei dias contando os minutos
Nunca meu pensamento ficou nessa confusão
Nunca fiquei sem saber o que fazer
Nunca quis tanto...

domingo, 23 de dezembro de 2007

Nós e a manjedoura

Quando pensamos na cena do nascimento de Jesus a nossa mente é povoada pelas representações natalinas, peças teatrais, cantatas, filmes, desenhos e ilustrações. Os presépios são lindos, e eu sou um dos admiradores de tais obras de arte. Porém, se deixarmos de lado essa arte e pararmos para pensar na situação real, nos fatos daquele acontecimento, passaremos a ver a grandeza de nosso Deus.

Imagine você, sendo um pai ou uma mãe, com seu filho prestes a nascer, mas tendo a vida dele ameaçada por um governante maluco, numa época de barbáries sem tamanho, e ainda não achando um lugar adequado para que a criança nasça, nem uma maternidade como estamos acostumados, muito menos um lugar limpo. Imagine ainda que seu filho é a promessa máxima do Todo-poderoso para a humanidade, a única esperança de um povo assolado pela falta de esperança. O único lugar disponível foi uma estrebaria, isto é, um estábulo, em meio aos animais, em meio à sujeira. Não havia cama, mas apenas uma manjedoura, e a manjedoura nada mais era do que o local onde serve-se a comida para os animais, com certeza não é um lugar propício para um recém nascido.

Foi assim que o Rei do Universo habitou esse corpo mortal. Para o mundo isso é loucura, mas para nós esperança. Um rei que nasceu num curral, teve pais humildes, cresceu como carpinteiro, teve por amigos pescadores, prostitutas, mentirosos, traidores, violentos, cegos, coxos, leprosos, cobradores de impostos. Por várias vezes ele não tinha onde repousar. Viveu sendo perseguido e acusado. Sempre submeteu-se a vontade do Pai, nunca usurpou um posto que não era seu. Foi fiel até o fim, e mesmo sem pecados morreu pendurado num madeiro.

Como o Apóstolo Paulo disse, essa mensagem é loucura para o mundo, mas é preciosa para nós. Deus confundiu a sabedoria do mundo, usou as coisas loucas para mostrar seu poder e derrubou de vez todos os preconceitos da humanidade.

A imagem da manjedoura acompanhou toda a vida de Jesus, sendo este o lugar que ele ESCOLHEU nascer, para que assim mostrasse ao homem que Ele não se importa com a aparência, que Ele não liga para o conforto e que mesmo a mais inóspita manjedoura pode vir a ser o lugar onde o Salvador nasce, bem como os nossos corações, manchados e infectados pelo pecado, não tem bem próprio algum, sendo nós totalmente indignos do nascimento do Rei dos Reis, mas Ele, com seu infinito amor nos diz que nada disso importa, pois Ele mesmo escolheu habitar em nós. Através do Espírito Santo somos feitos iguais àquela manjedoura.

Deus poderia ter escolhido qualquer beleza para habitar, mas Ele nos escolheu. E quando o recebemos somos feitos semelhantes à sua imagem, e a vida devassa que vivíamos é agora uma bonita obra de arte, como as manjedouras dos presépios. Somos agora filhos de Deus, amigos Dele, irmãos do Senhor.

Que nesse natal nosso coração seja como aquela singela manjedoura de Belém. Humilde, mas aberta para acolher nosso Salvador.

Tenham um natal coberto pela maravilhosa graça de Deus.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

William Shakespeare

"Quanto mais fecho os olhos melhor vejo;
o dia todo vi coisas vulgares;
mas quando durmo em sonho te revejo;
pondo no escuro luzes estrelares;
tu, cuja sombra faz brilhar as sombras;
pois tanto brilho no negror produzes?
Como podem meus olhos abençoados;
assim te ver brilhar em pleno dia;
quando na noite escura deslumbrados;
dentro de fundo sono eu já te via?
Meu dia é noite quando estás ausente;
e a noite eu vejo o sol se estás presente."

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A pátria de luto

A gloriosa bandeira do Brasil enrolou-se de vergonha, suas vibrantes cores, outrora agitadas, pararam de tremular. O hino nacional de bela melodia e singelo palavreado emudeceu-se, recusa-se a dar uma nota frente a tamanho golpe democrático sofrido pelo país. As extremidades de nossa bela terra parecerem querer recuar, diminuir, parecem não acharam-se dignas de tamanha grandeza.

A política brasileira, quando por tramites escusos e obscuros, absolve alguém com tamanhos escândalos e evidências manda um recado para o Brasil: Governamos para nós mesmos e para nossos amigos, quanto a vocês aceitem nossa decisão. Parece-me um retrocesso para épocas autoritárias do passado, governantes ditadores e insensíveis quanto aos apelos públicos por justiça e esclarecimentos.

Nossos meios políticos são tão confusos que há praticamente 15 anos atrás um presidente da república sofre um impeachment transmitido ao vivo pela TV, mas hoje o presidente do Senado tem direito ao voto sigiloso, com apoio de leões-de-chácara, prontos a enfrentar até mesmo os deputados que também representam a nação. Meu questionamento é: Estamos retrocedendo no tempo?

Mesmo desesperançoso, ainda acredito no Brasil, mais do que isso, acredito em Deus e porque acredito Nele, sei que nada é impossível - embora as circunstâncias sejam totalmente desfavoráveis.

É por isso que deixo para todos nós a belíssima letra da música de João Alexandre.


Pra cima, Brasil!
João Alexandre

Como será o futuro do nosso país?
Surge a pergunta no olhar e na alma do povo
Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros
Cada vez menos dinheiro pra sobreviver

Onde andará a justiça outrora perdida?
Some a resposta na voz e na vez de quem manda
Homens com tanto poder e nenhum coração
Gente que compra e que vende a moral da nação

Brasil, olha pra cima
Existe uma chance de ser novamente feliz
Brasil, há uma esperança
Volta teus olhos pra Deus, o justo juiz!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Aprendendo a viver

Só estou tentando entender a mim mesmo, nesse emaranhado de pensamentos, acontecimentos e pessoas. Tudo aponta para a mesma direção, mas não sei se é para lá que devo ir. A construção da vida não é como a construção de um prédio, você começa nos alicerces e chega até o topo, na vida você trabalha indefinidamente nos alicerces, constrói partes do topo, vai para o meio, volta para o começo, enfim, acontece tudo ao mesmo tempo.

Deveria estar feliz com minhas obrigações, visto que são geralmente para um "bem maior", mas hoje a sensação clara em mim é que não passam de uma perda de tempo, ocupando o espaço das minhas verdadeiras obrigações, das coisas que eu sinto que deveria fazer. Dedicar-me mais as pessoas, ao amor, à leitura, ao aprendizado, à oração, e tudo isso me levando mais pra perto de Deus.

Será que é uma forma de vida inescapável? Quem tem coragem de contestar tudo isso? Quem tem coragem de sair de um sistema que funciona?

Acho que estamos todos errados e perdidos. Mas ao mesmo tempo, todos certos.

Enquanto isso vou aprendendo a viver.

De mim.

O choro incontido das noites vazias
A dor revelada pela angústia escondida
A morbidez dos meus pensamentos
A existência indiferente revelada

Sentimentos fúteis e vãos
Palavras jogadas e espalhadas
Memórias fugitivas que retornam
Cativeiro da alma

Votos não cumpridos
Entendimento tardio
Palidez escancarada
Falta de vontade

Hábitos problemáticos
Amores imaginários
Falsas esperanças
Loucuras e verdades

Incompreensão generalizada
Acusações levianas
Línguas que ferem
Orgulho sem sentido